domingo, 30 de agosto de 2015

Movido a Pedal


Bicicletas são uma tecnologia antiga. E atualmente elas têm incorporado novas tecnologias (de materiais, de mecânica, etc), e isso vem substituindo as magrelas antigas.

Então, o que fazer com as bicicletas que não são mais usadas?
Reciclar, é claro.

Esse é o projeto do MayaPedal, da Guatemala, que a partir de bicicletas velhas, cria máquinas simples movidas a pedal, que não utilizam qualquer fio ou energia elétrica ou combustível fóssil.

São liquidificadores movidos a pedal, bombas para extração de água de poços, debulhadeiras de milho, tudo funcionando com a força humana.

Já ouvi falar que bater sucos verdes no liquidificador pode ajudar a emagrecer.
Creio que se você tiver uma máquina dessas, dá para otimizar ainda mais o resultado.





A dica é da matéria da LowTech Magazine. 

Sobre Finais de Semana



Finais de semana são grandes desafios.

Ok, levar uma vida Low Tech e ficar quase offline por algumas semanas, tem seus prós e contras, mas nos finais de semana, a parte psicológica disso é digamos assim... um pouco mais foda.

Durante a semana, fica relativamente mais fácil de preencher o tempo e o vazio deixado pelo whatsapp, facebook e jogos do celular. Isso porque boa parte do dia é dedicada ao trabalho. Outros momentos como as viagens de metrô ganham a companhia de livros, HQs, música, filmes, etc. 

É como se durante a semana, a receitinha de como preencher o tempo já estivesse ali. Já foram colocadas nas regras anteriormente. É só aplicar e pronto. Seguir a receita pronta é relativamente mais fácil.

Mas nos finais de semana, (mesmo quando trabalho no sábado, como foi o caso deste), o que acontece é que o tempo precisa de uma certa pró-atividade para ser preenchido. Antes era mais fácil, o facebook estava ali e o whatsapp ficava apitando e me chamando o tempo todo. 

Agora, durante estas semanas de "recesso" da vida virtual, percebo que os finais de semana apresentam o desafio de "não sei o que fazer". Talvez depois de meses e meses a rotina pudesse se tornar outra e essa sensação então viesse a desaparecer. Mas por enquanto ainda me causa desconforto.

Essa ânsia de tentar fazer coisas, várias, para que o final de semana não fique vazio acaba disparando um gatilho que eu não tinha pensado quando comecei com isso. Aumenta a minha deprê. Sim, eu estou fazendo um auto-diagnóstico neste momento, e ainda vou ter que conversar com a minha psiq sobre isso. 

Mas o que eu acho que acontece é o seguinte. 
Fica um vazio. 
Daí eu preciso descobrir como preencher isso.
Daí invento mil programas para serem feitos.
E esqueço que finais de semana foram feitos para descansar.
O que acontece é que eu não consigo fazer tudo o que me propus.
E isso cria uma sensação de incompetência.
Nada bom para quem tem a tendência à deprê.
Então por fim, me encolho no casulo. 
Cancelo os outros programas que estavam previstos, furo encontros com as pessoas, e fico em casa. 
De certa forma, esse raciocínio me ajuda a lidar com o que eu sinto.
Ao menos é uma teoria do porquê me sinto assim.

Talvez seja esta a parte do detox em que eu tenha que perceber que nem todos os espaços precisem ser preenchidos, nem todos minutos precisam ser produtivos, e nem todos os momentos de ócio precisem ser combatidos (um pequeno aplauso aqui a Domenico De Masi).

Talvez seja o momento de começar a perceber que o Low Tech também pode significar tirar um pouco o pé do acelerador (aliás, não era justamente esse um dos motivos pelo qual eu comecei tudo isso?).

Por fim, escrever no blog num domingo à tarde é uma boa atividade auto-imposta para o momento.
Amanhã completo 3 semanas e tentarei (sem compromisso) fazer o relatório semanal.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Detox Virtual

Me identifiquei

Charge de Fabiana Langona (Chiquinha)

30 Dias (quase) Offline – Semana 2


SEMANA 2:

A segunda semana foi mais tranquila.

- Do que foi excluído:
Já não sinto tanta falta do facebook e do whatsapp (de vez em quando algum amigo comenta sobre alguma treta entre as pessoas por lá, e eu passo a sentir menos falta ainda). Continuo não sentindo falta de TV, que não assistia desde que troquei por Netflix e PopcornTime. Estive muito cansado em alguns dias (fruto de minha habitual depressão e algumas insônias) então teve dias em que furei a regra da escada e peguei o elevador. Desta vez senti falta de fazer compras online, especialmente de pesquisar HQs.

- Do que foi incluído:
Seriados foram o que mais tive no metrô. Assisti a primeira temporada inteirinha de Gotham. Vi os aniversários anotados à mão na minha agenda, mas de novo, não liguei para ninguém. Nos momentos em que eu estaria no facebook ou no whatsapp eu acho que consegui me tornar um pouco mais funcional. Voltei a escrever. Finalmente escrevi um conto que há meses estava só na idéia. E inaugurei este blog.

- Do que continuou:
Descobri músicas que eu tinha em CDs e em um HD externo antigo. Estou renovando aos poucos meu repertório de MP3, para ouvir no metrô. Consegui interagir pessoalmente com algumas pessoas. É um começo.
Até agora ainda não utilizei os softwares que costumo ter como hobbies (photoshop, editor de midis, reason, etc)

Passei a ler mais notícias (online). Acho que é uma forma, eu diria que saudável, de utilizar o computador.
Tenho falhado na tarefa de 1 aprendizado por dia. Mas estou gostando de fazer o balanço semanal.

Esta é a metade do experimento.
Ainda tenho mais duas semanas pela frente.
Às vezes me pergunto se estou perdendo algo muito importante nas redes sociais.
Acho que só vou saber depois das próximas duas semanas.

30 Dias (quase) Offline – Semana 1


SEMANA 1:

Relatando aqui como foi a primeira semana do experimento.

Essa primeira semana foi difícil.
A gente fica tão acostumado com algumas coisas que é difícil lidar numa boa com uma rotina sem elas.

Lá nas regras que coloquei para mim mesmo, eu tinha separado o que continuaria, o que seria excluído do meu dia a dia e o que seria incluído.

Vamos por partes então.

- Do que foi excluído:
Senti muita falta (muita mesmo) de basicamente 3 coisas: Whatsapp, facebook e jogos no celular.
O Whatsapp estava tomando muito do meu tempo. Eram 14 grupos dos mais diversos temas, e cada um com 50, 100, 300 mensagens por hora.  O Facebook foi difícil de viver sem, já que a maioria das minhas interações pessoais nos últimos anos passavam por ali. E os jogos no celular, especialmente quando estou no ônibus e no metrô fizeram uma falta danada. Mas estes eu consegui substituir por seriados na telinha do meu espertofone.

- Do que foi incluído:
Passei a assistir mais seriados e filmes (especialmente documentários, que eu adoro).  Também passei a caminhar um pouco mais, e a utilizar mais as escadas, usando menos o elevador. Eu deveria manter um diário offline para depois transformar em blog, mas esta regra eu mudei no meio do caminho, e vou escrever quando der na telha, direto no blog.

- Do que continuou:
O acesso à geolocalização (GPS) que continuou entre as coisas que posso utilizar normalmente passou a ser mais utilizado, assim como mapas online, especialmente para verificar trajetos a serem feitos a pé (embora eu não tenha feito muitos), e para consultar linhas e horários de ônibus. O acesso à ferramentas online para finalidade de aprendizado também aumentou. Ao invés de passar horas no facebbok, passei a pesquisar termos e temas que há muito eu vinha querendo aprender mais (estoicismo, ceticismo, etc). Também passei a usar mais o SMS. O skype para falar com a família que mora longe continuou normalmente.

O que não rolou:
- A idéia era ligar para as pessoas no dia do aniversáro delas. Antes de iniciar o experimento, eu as avisei da minha ausência online e pedi telefones para poder entrar em contato, quando o aniversário delas chegassem. Não aconteceu. Eu não sou uma pessoa muito sociável. Ou ainda não (re)aprendi a me relacionar com as pessoas pelo telefone.

Estou escrevendo isso com uma semana de atraso.
O Experimento hoje está completando duas semanas.

30 Dias (quase) Offline - Introdução


INTRODUÇÃO:

Esta é uma experiência que eu criei e testei em mim mesmo.

Este blog faz parte desta experiência.

Eis as regras que impus a mim mesmo para o período de 30 dias:

A idéia é desapegar um pouco da telinha do celular e do computador, e tentar reinvestir esforço e dedicação em uma vida um pouco menos virtual. Trocar uma parcela da cultura inútil do nosso dia a dia por alguns aprendizados que podem ser um pouco mais úteis. Aprender algumas coisas novas, e readaptar-se para relações mais presenciais e menos online. Para isso a forma de acessar a rede de dados será modificada por 30 dias, segundo alguns critérios pessoais. Também ocorrerá um esforço para me mover mais fisicamente.

Durante estes 30 dias, algumas coisas serão incluídas, outras serão excluídas e outras continuarão normalmente.

O que continua normalmente:
- Acesso de uma vez por dia à conta de e-mail.
- Acesso a geolocalização e locomoção (mapas, GPS, linhas de ônibus, etc)
- Acesso a pesquisa de termos encontrados em livros (google, dicionários online)
- Acesso a pesquisa de eventos culturais (horários de cinema, shows e teatros)
- Acesso a informação para novos aprendizados (receitas, bricolagem, etc)
- Filmes e seriados (Netflix, PopcornTime, etc)
- Qualquer material de leitura e audiovisual esteja offline (pdf, word, mp3, etc), coletados previamente
- Celular para ligações e SMS
- Fones fixos (casa e trabalho)
- Acesso a softwares/instrumentos de trabalho/hobby (photoshop, freestyler, etc)

O que será excluído durante 30 dias:
- Jogos de celular (mesmo os offline)
- Acesso a sites e aplicativos de namoro (tinder, okcupid, happn, etc)
- Acesso a compras online
- Acesso a chats (whatsapp, messenger, etc)
- Acesso a TV (aberta ou por assinatura)
- Elevadores e escadas rolantes (até 7 andares)
- Acesso à internet como entretenimento (sites, youtube, etc)
- Acesso a redes sociais (facebook, secondlife, etc)
- Acesso a operações bancárias online

O que será incluído:
- Visitas presenciais à agência bancária quando necessário
- Livro na mochila (ao menos 1, sempre)
- HQ na mochila (ao menos 1, sermpre)
- Aniversários anotados à mão, na agenda
- Envio de cartas (correio) para as pessoas
- Caminhar mais
- Ler mais
- Cozinhar mais
- Manter registro de 1 aprendizado por dia (1 palavra nova, 1 receita, 1 assunto, etc)
- Manter um diário offline (que pode ou não ser divulgado posteriormente)

* Em caráter emergencial, poderá ser utilizado skype para contato com pessoas da família (que moram em outros estados)

Um Blog Low Tech ???



Pode parecer estranho utilizar a internet (um de nossos maiores exemplos de nossa vida High Tech atualmente) para criar um blog para falar de Low Tech. Mas é isso mesmo.
Graças à tecnologia, podemos falar sobre tudo, até sobre a falta (ou diminuição) do uso dela mesma.

Por quê? Porque todos gostamos do acelerador, mas poucas pessoas lembram de pensar no freio.
Acabamos focando nossa vida e nosso dia a dia de forma tão intensa na tecnologia ao nosso redor, que acabamos pensando que não conseguiríamos viver sem ela, ou com menos dela.
Em casos mais extremos, podemos chamar isso de uma espécie de escravidão.

Então espero sim, utilizar das facilidades High Tech para construir aqui um pensamento abrangente que possa funcionar como uma alternativa ao nosso dia a dia, como uma forma de otimizar o uso dessas tecnologias maravilhosas, de forma a facilitar a nossa vida real, e não atrapalhá-la ou substituí-la.

Então vamos já de cara esclarecer algumas coisas sobre este blog:

- É um Blog sobre Low Tech. Isso não quer dizer que este blog seja construído com Low Tech. Pelo contrário, a alta tecnologia que estiver a nosso alcance será utilizada para nos ajudar com as informações por aqui.

- Vamos falar de Low Tech, e não apenas sobre No Tech. Isso significa que o foco aqui será sempre o de utilizar pouca tecnologia, mas de forma otimizada e a serviço de nossa vida real, e não eliminá-la completamente.

- Este blog partiu de uma experiência pessoal. Um programa de 30 dias que criei e testei em mim mesmo: “30 Dias (quase) offline”. Neste exato momento em que escrevo estas palavras, estou entrando na segunda metade deste programa, e este blog é parte do processo.

- Não existe qualquer intenção em afirmar que o mundo seria melhor ou as pessoas seriam mais felizes e saudáveis se abrissem mão da tecnologia. Assim como não seria melhor se abríssemos mão da nossa comida. Aliás, pelo contrário, a quantidade de benefícios que a tecnologia traz à nossa sociedade é incalculável. Mas no âmbito individual, quando o uso demasiado dessa tecnologia passa tomar conta de outras áreas do nosso dia a dia, talvez seja preciso pisar um pouco no freio. Para mim, é como uma dieta ou uma reeducação alimentar. Também pode chamar de “detox” ou de reabilitação.

Creio que por enquanto é isso.

E você? já passou por alguma experiência Low Tech? Escreva e compartilhe a sua experiência.