Finais de semana são grandes desafios.
Ok, levar uma vida Low Tech e ficar quase offline por algumas semanas, tem seus prós e contras, mas nos finais de semana, a parte psicológica disso é digamos assim... um pouco mais foda.
Durante a semana, fica relativamente mais fácil de preencher o tempo e o vazio deixado pelo whatsapp, facebook e jogos do celular. Isso porque boa parte do dia é dedicada ao trabalho. Outros momentos como as viagens de metrô ganham a companhia de livros, HQs, música, filmes, etc.
É como se durante a semana, a receitinha de como preencher o tempo já estivesse ali. Já foram colocadas nas regras anteriormente. É só aplicar e pronto. Seguir a receita pronta é relativamente mais fácil.
Mas nos finais de semana, (mesmo quando trabalho no sábado, como foi o caso deste), o que acontece é que o tempo precisa de uma certa pró-atividade para ser preenchido. Antes era mais fácil, o facebook estava ali e o whatsapp ficava apitando e me chamando o tempo todo.
Agora, durante estas semanas de "recesso" da vida virtual, percebo que os finais de semana apresentam o desafio de "não sei o que fazer". Talvez depois de meses e meses a rotina pudesse se tornar outra e essa sensação então viesse a desaparecer. Mas por enquanto ainda me causa desconforto.
Essa ânsia de tentar fazer coisas, várias, para que o final de semana não fique vazio acaba disparando um gatilho que eu não tinha pensado quando comecei com isso. Aumenta a minha deprê. Sim, eu estou fazendo um auto-diagnóstico neste momento, e ainda vou ter que conversar com a minha psiq sobre isso.
Mas o que eu acho que acontece é o seguinte.
Fica um vazio.
Daí eu preciso descobrir como preencher isso.
Daí invento mil programas para serem feitos.
E esqueço que finais de semana foram feitos para descansar.
O que acontece é que eu não consigo fazer tudo o que me propus.
E isso cria uma sensação de incompetência.
Nada bom para quem tem a tendência à deprê.
Então por fim, me encolho no casulo.
Cancelo os outros programas que estavam previstos, furo encontros com as pessoas, e fico em casa.
De certa forma, esse raciocínio me ajuda a lidar com o que eu sinto.
Ao menos é uma teoria do porquê me sinto assim.
Talvez seja esta a parte do detox em que eu tenha que perceber que nem todos os espaços precisem ser preenchidos, nem todos minutos precisam ser produtivos, e nem todos os momentos de ócio precisem ser combatidos (um pequeno aplauso aqui a Domenico De Masi).
Talvez seja o momento de começar a perceber que o Low Tech também pode significar tirar um pouco o pé do acelerador (aliás, não era justamente esse um dos motivos pelo qual eu comecei tudo isso?).
Por fim, escrever no blog num domingo à tarde é uma boa atividade auto-imposta para o momento.
Amanhã completo 3 semanas e tentarei (sem compromisso) fazer o relatório semanal.

Nenhum comentário:
Postar um comentário